Domingo
Era domingo e eu escrevia, como se soubesse escrever, mas porque tinham iniciado a mudança que precisava para dar rumo à minha vida, escrevia, não sei se bem ou mal, apenas sei que fazia o que pensava e fazia-o com as minhas mãos e meus pensamentos. Sou um homem de sessenta e oito anos, magro e baixo. Entendo-me como uma pessoa interessante; já sofri muito. Não fumo nem bebo bebidas alcoólicas. Acho que sou inteligente, mas a angústia tem-me abatido e estagnado a minha existência; não tenho esperado nada da vida, porque entendia ser inútil esperar; porventura era errado pensar assim. Não sei por que passei a ver e sentir de modo totalmente diferente. Consegui manter dignidade. Ninguém me obrigara nunca a fazer mal; quando era criança, vivia isoladamente só. Inseria-me na multidão apenas quando frequentava a escola. Estas são as minhas confissões, e nelas não digo nada, porque nada tenho a dizer.