Isto É Nada
Diante de mim, duas páginas do livro sonhado; cabeça erguida, estou em frente do computador, com os olhos cansados, minha alma triste e também fadigada. Não vale nada. Oíço o barulho dos carros que passam; além disso, há um sossego fétido e vulgar, onde a quietude do ruído fervilha, insignificante, nas ruas. Guardo um sorriso meu e lembro-me da vida, em que estas páginas brancas me mostram nomes de propriedades e muito dinheiro. Não é nada, nem sei o que possa ser. Mas escrevo cheio de vontade de promover a mudança. Quero pouco da vida, mas quero viver tranquilo e ter um pedaço de pão para comer. Não quero que os outros me deem nada, nem gosto que eles me peçam nada a mim. Escrevo no meu quarto, triste, sozinho como sempre fui e sempre serei. Sou submisso ao destino diário; o sonho é inútil, sem traços de esperança. Meu coração bate mais alto que a minha consciência dele. Olho o papel que ainda não está escrito e vejo-me triste e abatido. A perguntar a vida, a dizer o ...