Cresce uma monotonia cinzenta, perto de mim. Estou desperto dormindo de pé contra a vidraça, a que me encosto. Procuro sensações que não tenho perante o cair de água no sombreamento luminoso que se vê pelas janelas abertas. Não sei o que sinto, não sei o que quero sentir, não sei o que penso nem o que sou.
Dispo-me de toda a amargura da vida perante a sensação do traje de alegria natural que se usa fortuitamente nos casos alongados da vida de todos os dias. Sinto que,tantas vezes alegre, tantas vezes contente, estou sempre triste. Fitocom os olhos íntimos que não parecem meus, a chuva lenta, que ondula.
Vivo do que não é determinante e de destroços, entre grandes tons de loucura arrouxeada. Erro sem espírito nem pensamento, por uma estrada donde a volta é montanha,por vales sumidos entre encostas íngremes, remotas, mergulhado e nefasto.
Um sopro de vento, que por trás da janela não sinto,golpeia um desnivel aéreo na queda da chuva não tem sinuosidades. Clareia numa parte do céu que não vejo. Noto-o, porque atrás dos vidros limpos já vejo o calendário lá dentro, que até agora não via.
Não vejo, sem pensar.
Para a chuva, e fica, o momento, uma leve poeira de diamantes mínimos, como se por cima, qualquer coisa como uma grande toalha sacudisse essas migalhas azuladas. Parte do céu está já aberta. O céu já está quase todo azul, vê-se muita luz.
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